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última actualização: segunda-feira, 15 fevereiro 2016

Magis: uma empresa de destaque no mundo do design.

Made in Italy, com uma garantia de alta qualidade, um grupo de jornalistas portugueses aceitou o convite para descobrir o mundo da Magis.

 

Este é o ano em que uma das mais prestigiadas marcas de design italiano comemora 40 anos.

São 4 décadas de história, de alta qualidade aliada à funcionalidade. De originalidade e modernidade. 
A celebrar mais uma aniversário de sucesso, a Magis convidou um grupo de jornalistas portugueses e organizou uma visita à fábrica. 

A jornalista Isabel Salema, coordenadora dos suplementos do jornal Público - com formação em História da Arte e, mais tarde, jornalismo - aceitou o convite da Magis e conta, num artigo fascinante e que desperta a vontade de conhecer a fabrica italiana, entre muitas outras coisas, quais os futuros projetos e sonhos dos designers.

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"A Magis quer fazer tapetes que mudam de cor conforme o lugar do observador. Para isso convidou o designer Ron Gilad que nunca trabalhou com têxtil. É essa a receita para fazer algo de novo em design.

Chegamos à fábrica Rik Fer e é como se estivéssemos dentro de uma gravura de Piranesi, numa versão dedicada aos monumentos de ferro forjado. São todos os portões do mundo juntos, escadas, corrimãos, que servem de mostruário em tamanho real para futuros clientes. Como nos mundos imaginados do artista veneziano, os portões não abrem para lado nenhum, ou melhor abrem para outros portões, e as escadas acabam com o último degrau suspenso no ar.

Um homem vindo de outros tempos está de boné na mão à nossa espera. “Buenasera”, apresenta-se “maestro” Antonio, como todos lhe chamam, acrescentando que tem 60+20+30 anos e só pára de trabalhar quando joga o Udinesi, o seu clube de futebol. Já estamos em frente a uma fornalha a 850 graus centígrados e um operário manipula uma vara de ferro de 20 milímetros de espessura. Fabio Moretto, que começou aqui a trabalhar aos 15 anos e agora é um homem já com cabelos brancos, há-de deixar a vara ficar no fogo dois minutos para depois conseguir bater o ferro para uma das cadeiras da linha Officina. É pelo malho — uma máquina que não sofreu muitas alterações desde o século XVI — que a vara ainda vai passar.

O operário desta fábrica a uma hora de Veneza diz que são precisas dez operações diferentes para dar forma a uma cadeira Officina, desenhada pelos irmãos Ronan e Erwan Bouroullec e produzida desde o ano passado pela marca italiana de design Magis.

Esta fábrica especializada em trabalhos de ferro forjado é a segunda maior em produção em Itália e o mestre Antonio ainda não recuperou de ter perdido para um outro rival a encomenda para fabricar dezenas de portões para o Coliseu de Roma. Desde a crise do imobiliário de 2008, nunca mais voltaram a facturar o mesmo, sendo o trabalho para a Magis o primeiro em que executam peças pensadas por designers contemporâneos.

A Magis, este ano a celebrar 40 anos, organizou a visita à fábrica de um grupo de jornalistas portugueses para mostrar o processo de fabrico da linha de mobiliário Officina — que junta manufactura e processo industrial — e como a marca de design italiano tem como filosofia produzir 100% em Itália.

Umas horas antes, na sede da Magis em Torre di Mosto, durante uma entrevista com Eugenio Perazza, o fundador da empresa apresentara a linha Officina como uma nova aposta da Magis para trabalhar um material tradicional, como é o ferro forjado, virado para o futuro. “Não há nada parecido no mercado.” É aliás um sinal contrário da morte do design que Eugenio Perazza tinha anunciado durante o almoço com vários membros da sua equipa.

“Na minha opinião, o design está numa grande crise. As empresas produzem as mesmas coisas. Está reduzido a puro exercício de estilo. Um bom design tem de começar com uma ideia forte, alguma coisa fora da caixa, uma nova direcção.”

A notoriedade dos irmãos franceses, ou de outros designers que trabalham para a Magis, não é uma concorrência à visibilidade da marca, não é por aí que falamos de crise quando falamos de design com o patriarca dos Perazza. “A Magis controla o design. É sempre a Magis que descobre a direcção, não o designer. Porque é a Magis que dá o briefing específico. Estamos sempre em contacto com eles todos os dias para conselhos. Ontem recebi dez telefonemas dos Bouroullec.”

A Magis tem peças nas colecções permanentes do MoMA, em Nova Iorque, do V&A, em Londres, e do Pompidou, em Paris — como a cadeira-escultura Spun de Thomas Heatherwick ou o porta-garrafas de Jasper Morrison. Mais do que best-sellers, estão interessados em long-runners. Dão o exemplo de um dos seus últimos ícones, a Chair-One, de Konstantin Grcic, que levou tempo a ser adoptada pelo público depois de ter sido lançada em 2003. Só quando foi escolhida por arquitectos como Herzog & De Meuron para mobilar uma capela do Fórum de Barcelona em 2004 é que começou a vender bem, tornando-se uma peça muito copiada com o seu padrão de triângulos. A beleza desta cadeira, ouviremos mais tarde, está no que falta, no vazio, e no contraste com a base cheia, em cimento.

Tapete óptico
Quando chegamos à sede da Magis, a família Perazza e alguns empregados estão em brainstormingcom uma das suas últimas coqueluches, o designer israelita Ron Gilad. Parece uma coisa saída de um manual para ajudar a ser criativo: reunião num espaço chill out à vista de quem passa, material como amostras de lã espalhadas por todo o lado, muitas cabeças a contemplar mini-tapetes pousados no chão, um jardim lá fora coberto pelo nevoeiro de Inverno.

O que é que estão a fazer? “Ainda não sabemos”, ironiza Ron Gilad. Eugenio Perazza pergunta se não conhecemos o trabalho do designer para a marca Flos: “Estou superconvencido de que vai ser uma estrela. Ainda estamos na primeira fase do projecto.” Enric Perin, o gestor de design da marca, diz que não foi simples encontrar uma nova direcção: “Quando se tem a ideia, temos 50% do projecto.” Estão todos a olhar para os mini-tapetes com cores fortes. Alberto Perazza, filho único do fundador, explica que a ideia é a Magis entrar na área do tapetes. Começaram há seis meses quando se encontraram com o designer para lhe dizer o que procuravam.

A ideia é fazer um tapete que explora como a op art as ilusões ópticas. O tapete pode variar de cor conforme o lado de que é olhado. “O problema é que, como o azul está atrás do encarnado, fica completamente preto”, lamenta Ron Gilad, explicando que tinham escolhido as cores para o teste com uma luz má. Começaram com as cores primárias para explorar os efeitos ópticos ao máximo, explica Enric Perin, mas o objectivo é fazer tapetes com cores pastel, cores suaves. E, para já, conseguiram — as pequenas amostras variam de cor conforme o lugar do observador.

Para Ron Gilad, este é um grande desafio, porque não é “definitivamente” um designer têxtil. “É muito difícil criar uma história sem três dimensões, uma história plana. Eu crio estruturas.” Um tapete é basicamente um objecto com duas dimensões, comprimento e largura.

Todos sublinham que o projecto está numa fase muito inicial. A ideia pode ser testada junto dos pares no Salão Internacional do Móvel de Milão já em Abril, mas na prática estão a trabalhar para um produto que pode aparecer na colecção 2019-20.
Além do Salão de Milão, fazem mais quatro feiras, como a de Estocolmo dentro de duas semanas, ou a de Xangai. Acabaram de vir de Colónia, onde além da linha Officina apresentaram uma grande mesa de Philippe Starck em alumínio, que guarda duas extensões debaixo do tampo e tem rodas em duas pernas, uma cadeira de exterior de Konstantin Grcic inspirada na BD e ainda Happy Bird, uma colecção de cadeiras-brinquedo feita pelo designer finlandês Eero Aarnio, entre outros produtos.

“Nós trabalhamos com designers muito diferentes há muitos anos. Não temos relações curtas com designers. Não há um projecto e já está. Podemos ter um projecto este ano e outro daqui a três anos”, explica Alberto Pezarra, no dia seguinte ao brainstorming, durante uma entrevista com o PÚBLICO. “Todos os projectos que fazemos são um novo desafio em termos de materiais, de tecnologia. Como viram, é um processo que leva tempo desde a ideia até ao mercado. Geralmente nós desenvolvemos a ideia internamente, um conceito para um novo projecto, e depois falamos com o designer que pensamos ser o mais adequado para desenvolver a ideia. Ou seja, nós não desenhamos, nós geramos as ideias e falamos com os designers e depois eles regressam com uma proposta. Então começamos um diálogo, uma comunicação intensa para trás e para a frente. É uma relação onde é muito importante o papel dos engenheiros, de quem faz os protótipos, dos parceiros da produção.”

Ron Galid foi escolhido porque conheciam o trabalho que tinha feito para outras empresas. “Depois gostámos muito dele como pessoa. O que é muito importante já agora, porque tem de haver um encaixe com a Magis. Nós não gostamos da forma como algumas empresas estão a trabalhar, que recebem alguma coisa do designer e sem feedback vão para produção.”

Quando um projecto nasce, normalmente levo um produto para casa e gosto de testá-lo como consumidora

Barbara Minetto

À pergunta porque escolheram um designer que não trabalha com têxtil para desenvolver a futura área de tapetes da empresa, responde Barbara Minetto, a mulher de Alberto, que também trabalha na empresa como directora de marketing. “Porque ele é muito aberto. Como não tem experiência, há a possibilidade de fazer algo novo, diferente do que está hoje no mercado. Se dermos uma coisa a uma criança, ela está aberta como uma folha branca de papel. É muito melhor.” Será mais difícil a princípio, porque é preciso perceberem as coisas técnicas, mas no final “é positivo”.

Um dos objectivos é desenvolver tapetes para o exterior, além das salas de estar ou de jantar — “Pensamos que pode ser uma boa oportunidade para fazer óptimas instalações numa feira ou no jardim”. O azul e o verde pastel, como a água ou a relva, apresentados na reunião da véspera são para o exterior. “Pode ser uma instalação muito bonita se tiver só um jardim com 20 metros quadrados. É muito poético. Tem-se outra dimensão num espaço muito pequeno”, diz Barbara Minetto.

Os tapetes para o exterior poderão misturar poliamida e poliéster. “Pode-se combinar o fio. Mas ainda estamos muito longe disso. Estamos à procura das cores certas e do melhor efeito possível da ilusão óptica que provoca a mudança de cor.” Provavelmente, comenta Alberto, não terão nada disto pronto para Milão. “Talvez seja adiado, só mostramos quando estivermos prontos.”
Lá em casa, usam produtos da Magis, respondem os gestores desta empresa familiar. “Temos alguns e mudamos muitas vezes. Temos uma grande presença dos irmãos Bouroullec e das peças de Konstantin Grcic”, revela Barbara Minetto. “Quando um projecto nasce, normalmente levo um produto para casa e gosto de testá-lo como consumidora para perceber que sensação dá, se há alguns problemas.” Por isso, mudam bastantes vezes de cadeiras na cozinha.

Os dois filhos chamam, aliás, os objectos pelo seu nome comercial. O candeeiro, por exemplo, é o Glo-Ball (de Jasper Morrison). “Primeiro que tudo são muito críticos”, diz a mãe, “falam das cores, da função, mas é muito normal porque o design faz parte da vida deles.”

Foi por causa da neta Anna que Eugenio Perazza começou a colecção Me Too em 2001. “Quando ela tinha dois anos, procurei uma cadeira e tive muitas dificuldades em encontrar alguma coisa de qualidade. Pensei: por que não desenvolver uma colecção para as crianças dos dois aos seis anos?” Hoje, a colecção representa 10% dos resultados da Magis.

Em Portugal, já estão presentes há 35 anos, mas só desde 2014 é que trabalham com um novo distribuidor (http://www.heldergoncalves.pt/). “Apesar da crise, da situação económica, corre bem, falando de uma maneira geral”, diz Alberto, um crescimento que atribui aos negócios que se organizam à volta do turismo e que precisam de se qualificar.

Uma das cadeiras que vendem bem em Portugal é a Air-Chair, de Jasper Morrison, na versão com braços, talvez porque seja parecida com a cadeira de esplanada Gonçalo. Há aliás um antes e um depois de Jasper Morrison, que começou a trabalhar com a Magis no início dos anos 1990. A Air-Chair, datada de 2000, é a primeira cadeira monobloco de plástico que utiliza a moldagem por injecção a gás, resultando numa aparência maciça mas com um interior oco.

Cadeira Milà
Não era fácil desenhar uma cadeira usando a moldagem por injecção a gás depois da Air-Chair. “Tinha de ser muito elegante, muito diferente. Depois de um ano, chegámos aqui inspirados em Gaudí, o arquitecto modernista de Barcelona”, diz Enric Perin, o gestor de design, mostrando seis protótipos de uma cadeira com muitas curvas que entrará em produção dentro de semanas.

Vão chegar ao Salão de Milão com a cadeira Milà, porque a Magis divide o ano através da feira de design. É feita em seis cores: branco, bege, verde, preto, encarnado e amarelo-mostarda. Enric Perin está a fazer festinhas à cadeira deliciado com o toque suave que conseguiram obter. “Tem um toque de seda. É tratada com uma coisa, um segredo...”

No ano passado, mostraram os protótipos feitos pelo designer espanhol Jaime Haiyón, agora levam-na pronta para as encomendas. Enric Perin e Alberto Perazza estimam ter feito um investimento de 300 mil euros nesta cadeira.

Nós vamos poder comprá-la por 170 ou 180 euros, o preço ainda não está certo, porque até Abril ainda há um pormenor ou outro para acertar"

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